quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tirei a corrente hoje e ela estava pesada...

Falar do que foi e a ironia macabra de não saber sem rodeios se é a hora de deixar de fingir.

Nunca consegui jogar coisas fora!
Nunca soube distinguir o que é lixo...

Também nunca consegui sair andando sem virar a página, mesmo que carregando no peito o peso do que já passou.

Fala baixo no meu ouvido que eu não posso esquecer?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tantos tempos em um espaço

Acho que fiquei tonta, pela tarde de preguiça, pela alimentação saudável, a tosse que insistia em me atordoar (sei lá eu há quantos dias e nenhum descanso é totalmente descanso desde então), com a luz, a maresia, aquela vista cinematográfica... com uma tarde de cumplicidade muda e atenção mútua, com ele chegando quase final de noite, desajeitado, cheio de gentileza, mas sem saber onde podia me tocar. Gostava quando era nas pernas, na batata descendo até o tornozelo, suave, quase como se fosse falta de educação. Parava como criança, olhava para cima (não me tocaria os tornozelos a não ser na altura certa, com a possibilidade de flexibilidade e de movimento necessárias para fingir um acaso). Roubava a calda antes de comer o bolo, tremi!

Sentia, de novo, aquele “furor uterino” (como diz o léo) que de tão químico beira a estupidez. Não sabia qual deveria ser a reação correta, nem como conduzir a cena toda. “Solta na vala” é um termo cretino, mas estava quase lá, entorpecida e sem controle, querendo que me tocasse inteira, mesmo sabendo que nada seria tão incrível como a minha imaginação.

Pensei nisso a tarde toda, os diálogos perfeitos, os toques impecáveis e aquele tesão que antecede qualquer coisa ideal que nunca vai acontecer...

Não fiquei molhada, mais tremia por dentro. Queria ser saciada e, de tão carnal, não tinha nada de muito mágico nisso.

domingo, 5 de julho de 2009

Achei que tinha 10 por que tentava ser otimista, tinha certeza que me daria uns 20 minutos de bateria ... Na verdade eram 14, menos 1 para tudo começar a funcionar.... Não corrige os erros!

A fumaça branca com os raios vermelhos formando um mini-furacão, saudade do Anishi Kapoor – tenho pena daqueles que citam artistas para fazer um “misancene”, se não fosse o sarcasmo teria quase que desprezo por mim mesma.

Passei por mc-maníacos que atravessam sem olhar para os lados, chego quase a ver como é condizente para quem tem este gosto na madrugada...

- jazz? (ele perguntaria a 1 da manhã).
- Claro, sábado a noite em São Paulo que tem tudo, onde tem jazz?
- Você esta ficando velha... quantos dry martinis?
- Nenhum!
- Vc cheirou?!?!?
- Não, eu juro!
- Como era mesmo aquela historia de não aceitar como as pessoa amam?
- Hahhahahahhahahahaah, ta triste coração? Passa aqui essa semana para pegar as coisas...

Ele não perguntou se eu estava triste, eu também não perguntei sobre o amor...
Existe um certo sadismo neles, os com mais de 50, um prazer na desventura de quem aprende, como dizem as mães: fortalece o caráter.

Caráter é o caralho! E a magia é para poucos...

Ainda tem 5... não vou escrever só porque a proposta era usar o tempo todo.
Suga, suga, suga, e é você que dá, trouxa!

Acabei! (e ainda tinha mais 4)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Me vi hoje numa casa que não era minha, numa cama que não me sinto confortável, mas que me são comuns.

Não sei por que resolvi escutar chopin, com os fones na orelha como se criasse um lugar paralelo.

O que começou como uma fuga de um terreno arenoso se transformou numa lembrança terna e excitante. Nós dois na sala do ciccio, eu cheia de receios e você corajosamente me beijando como quem quer mapear um labirinto. E ele no piano.

Na lembrança me sinto mais envolvida do que antes, tão completamente que é como se cada nota me tocasse geometricamente, tão certeira que a excitação não é de tremor e de água, mas de uma pele saciada...

para constar

E não é para falar de amenidades, para não ser fina e nem gentil.
Mas também foda-se...
Vale o que vier (só para ser um pouco tim maia de churrascaria), cocada não se come com colher!!!