Tantos tempos em um espaço
Acho que fiquei tonta, pela tarde de preguiça, pela alimentação saudável, a tosse que insistia em me atordoar (sei lá eu há quantos dias e nenhum descanso é totalmente descanso desde então), com a luz, a maresia, aquela vista cinematográfica... com uma tarde de cumplicidade muda e atenção mútua, com ele chegando quase final de noite, desajeitado, cheio de gentileza, mas sem saber onde podia me tocar. Gostava quando era nas pernas, na batata descendo até o tornozelo, suave, quase como se fosse falta de educação. Parava como criança, olhava para cima (não me tocaria os tornozelos a não ser na altura certa, com a possibilidade de flexibilidade e de movimento necessárias para fingir um acaso). Roubava a calda antes de comer o bolo, tremi!
Sentia, de novo, aquele “furor uterino” (como diz o léo) que de tão químico beira a estupidez. Não sabia qual deveria ser a reação correta, nem como conduzir a cena toda. “Solta na vala” é um termo cretino, mas estava quase lá, entorpecida e sem controle, querendo que me tocasse inteira, mesmo sabendo que nada seria tão incrível como a minha imaginação.
Pensei nisso a tarde toda, os diálogos perfeitos, os toques impecáveis e aquele tesão que antecede qualquer coisa ideal que nunca vai acontecer...
Não fiquei molhada, mais tremia por dentro. Queria ser saciada e, de tão carnal, não tinha nada de muito mágico nisso.


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